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Houve quem um dia escrevesse que
não sabia se devia começar as suas memórias pelo princípio ou pelo fim.
Também eu me questionei, enleado, se devia começar a minha narrativa pela
verdade ou pela mentira, mesmo que por vezes estas pouco se distingam. Comecemos,
então, pela mentira, a mais verdadeira das ficções. Dito isto, convém desde
já relatar o momento crepuscular em que não cheguei realmente a conhecer a
figura das próximas linhas. O seu nome? Aurora.
“Deusa do amanhecer, que pinta o céu de várias cores ténues,
obriga-me a acordar do meu mundo de sonho para regressar à realidade!” Nunca
lhe atribuí a devida importância, na medida em que, para mim, era, apenas, o
nascimento de outro dia banal, recheado de reclamações por aquilo que não
tenho, ambiciono ou desejo ser.
Contrariamente a Aurora, eu vivia
uma existência singular e egoísta, na qual teimava em cerrar os meus olhos,
abafar o meu cérebro, para que desse modo me fosse possível ocultar os dois
mundos opostos que me cercavam. Sim, esses mesmos, o Belo e o Ruim. Dois
mundos bem à parte do meu, tão peculiar, tão insensível e, tal como já o
afirmei, tão egoísta.
Algo na forma como ela teimava em aparecer, todas as manhãs, num
aviso fulgente de que a vida que eu, lá no fundo, por muito que não o
aceitasse, queria estava à distância de uma mão... Se, ao menos, eu
tivesse a coragem de dar um passo em frente e agarrá-la! Olhando para
trás, percebo que era pura inveja, mas, na altura, parecia-me arrogante a
forma como ela se erguia, os seus olhos apenas esperança e beleza,
independentemente do dia. Alguém precisava de fazer algo, e eu sabia que mais
ninguém daria um passo em frente. Na manhã seguinte, sentado no meu
parapeito, estava preparado.
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#4:
Carolina Carvalho e Sousa (8.º A)
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- 1.º parágrafo (7 de outubro): Prof. Nuno Ricardo Ferreira
- 2.º parágrafo (7-12 de outubro): Maria Magalhães + Catarina Pereira (8.º C)
- 3.º parágrafo (13-19 de outubro): Rodrigo Silva (8.º D)
- 4.º parágrafo (20-26 de outubro): Carolina Carvalho e Sousa (8.º A)
- 3.º parágrafo (13-19 de outubro): Rodrigo Silva (8.º D)
- 4.º parágrafo (20-26 de outubro): Carolina Carvalho e Sousa (8.º A)
- 5.º parágrafo (27 de outubro-2 de novembro): 8.º B
- 6.º parágrafo (3-9 de novembro): 8.º C
- 7.º parágrafo (10-16 de novembro): 8.º D
- 8.º parágrafo (17-23 de novembro): 8.º A
- 9.º parágrafo (24-30 de novembro): 8.º B
- 10.º parágrafo (1-7 de dezembro): 8.º A-C
- 11.º parágrafo (8-14 de dezembro): 8.º B-D
- 12.º parágrafo (31 de dezembro): Prof.ª Raquel Almeida Silva
Caso pretendas participar, escreve o teu parágrafo (não muito extenso) na secção dos comentários, assinando com o teu nome e turma. Redige o teu texto com total rigor, nomeadamente ao nível da ortografia, pontuação e sintaxe.
Os textos serão publicados após moderação.
“Não custa nada!”, repetia eu vezes sem conta, de forma a entender que aquele era o caminho a seguir para alcançar o tão desejado tesouro. Todas as manhãs dava por mim a tentar descobrir onde tinha errado para acabar assim sozinho, numa casa taciturna e com uma vida amargurada e sem cor. Equiparava a minha existência a um carro velho enferrujado, inútil e insignificante. Sabia que, para o carro ser utilizado outra vez, teria de abandonar as peças gastas e alcançar outras melhores que lhe dessem o impulso necessário para recomeçar. Queria ter uma vida tão brilhante como a de Aurora; então, percebi que teria de descer um degrau para no futuro poder subir muitos mais. Reuni o essencial e deixei que ela me guiasse.
ResponderEliminarRita Escudeiro de Sousa (8ºB)
Preparado para mudar a mim e toda a minha vida. Sentia todos os dias um vazio eterno, que durante demasiado tempo tentei tapar. Ao início conseguia enganar a todos, e até me deixei levar pela maravilhosa mentira que inventara. Mas essa felicidade falsa corroía me cada vez mais, e lentamente a dor e o arrependimento cresciam. Como mencionei antes, não conheci a Aurora, por momentos, pensava que não existia. Contudo naquela manhã estava decidido a conhecê-la, a felicidade e a realização que sempre ambicionei. Ia custar, mas era o que eu precisava!
ResponderEliminarDuarte Santos (8ºB)