quinta-feira, 26 de março de 2020

Da viagem de 'Saga': da realidade à invenção



“A ‘Saga’ nasceu, na realidade, de uma história de família: o meu bisavô veio realmente de uma ilha da Dinamarca, embarcado à aventura e foi assim que acabou por chegar ao Porto. O episódio da zanga com o capitão, o do número de circo com a pele de urso no cais, o abandono do navio – tudo isso aconteceu de facto. Também são verdadeiras as palavras que ele disse, mais tarde, a uma das netas: ‘O mar é o caminho para a minha casa’ – e outras coisas ainda. Mas, claro que depois há toda uma fusão imaginária desta realidade e todo um trabalho de invenção que são obra minha.”

Sophia de Mello Breyner Andresen

Entrevista de Miguel Serras Pereira
in JL — Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 135, 5 de Fevereiro, 1985

segunda-feira, 23 de março de 2020

"De pai para filho", de Miguel Sousa Tavares


Johan Henrik Andresen tinha catorze anos quando decidiu fugir da casa dos pais, em Föhr, uma das ilhas Frísias, na Dinamarca, porque se zangou com a severidade do pai ou por qualquer outra razão. Como quer que tenha sido, reza a lenda familiar que se alistou como grumete no primeiro barco que viu no porto de Föhr e, vários dias depois, deu consigo numa terra estranha, de gente morena cuja língua não entendia. Era o Porto, em Portugal. Perdido e sem recursos, num país estrangeiro, pôs-se a chorar e foi assim que o encontrou um armador da cidade. Este levou-o para sua casa, onde o fugitivo foi acolhido e tratado como um filho, tanto que cinco anos depois já estava estabelecido por conta própria, vindo a tornar-se um dos mais prósperos empresários da cidade, e casando-se com uma portuense, assim dando origem a um ramo materno da minha família – os Andresen do Porto.
Reza ainda a lenda que, quando o seu filho primogénito estava para nascer, Johan Henrik escreveu para casa, pedindo o perdão e bênção paternas. Respondeu-lhe a mãe, dizendo que o pai nunca mais o queria ver nem ouvir falar dele. No entanto, fazia-lhe um pedido: que o seu filho mais velho fosse baptizado com o nome de Johan Henrik e o filho desse também, e assim sucessivamente, conforme era tradição familiar. Desta forma nasceu o ramo português da família e o primeiro de uma linhagem de Joãos Henriques Andresens que vai já na quinta geração. Ligaram-se ao negócio do vinho, fundaram um vinho do Porto com o nome da família – o Porto Andresen – e o Boavista Football Club, antes que os seus descendentes tivessem degenerado adeptos do menos aristocrático mas mais compensador Futebol Clube do Porto. Foram comerciantes, vinhateiros, armadores, protestantes, caçadores e nostálgicos. Baptizaram gerações de filhos com nomes nórdicos, adaptados ao português – Elsa, Gardina, Olga, Teodora, para as mulheres, e Gustavo, Guilherme, Thomaz ou o inevitável João Henrique para os homens.
Quando morreu, sem nunca ter voltado a ver brumas da sua terra, Johan Henrik formulou, por sua vez, um desejo para se cumprir: que o enterrassem onde pudesse ficar a ver o mar. A família enterrou-o em Agramonte e o seu desejo foi cumprido até que o “progresso” lhe veio tapar a vista com as construções modernas do Campo Alegre e da Boavista. Avisado, porém, encarregou o mestre Teixeira Lopes de lhe esculpir uma escultura de um barco naufragado, que ficou colocada sobre a sua pedra tumular, em sinal das suas reminiscências vikings e também como símbolo do impossível regresso a casa. Ao menos assim, quem sabe, terá embarcado para a eternidade, tal como os antigos egípcios acreditavam.
Todavia, a dissidência portuguesa não foi a única em que se dispersou a estirpe nórdica. Outros Andresen passaram à Alemanha e chamaram-se Hans Heinrich, outros à América Latina, sob o nome de Juan Enrique e outros emigraram para os Estados Unidos, onde foram os John Henry Andresen. Um dia, realizando um trabalho de pesquisa sobre a colonização portuguesa na Amazónia, na época da borracha, fui à Biblioteca Municipal de Manaus consultar jornais da época. De repente, folheando um jornal da passagem do século, parei diante de uma fotografia de um senhor loiro, de barbas, que me pareceu familiar, sem explicar porquê. A fotografia encimava uma notícia necrológica e a legenda a que ela dizia respeito rezava assim: “O Sr. João Henrique Andresen, da Associação de comerciantes de Manaus e um dos fundadores e beneméritos do Teatro Amazonas.” Então, percebi o que havia de extraordinário naquela fotografia: é que ele era igual a mim, quase traço por traço. Lembrei-me do que tinha lido num livro do Corto Maltese: quando encontramos alguém igual a nós, é sinal de morte. A partir daí, e no pouco tempo que tive para pesquisar, procurei descobrir o que podia sobre aquele personagem. Mas não consegui apurar se era um Andresen emigrado directamente da Dinamarca para a Amazónia ou se era o João Henrique I ou II, meus avós do Porto, que foram ambos armadores da carreira, Porto – Lisboa – Belém – Manaus.
Mas a fotografia, essa não enganava; com duas gerações de intervalo e dois continentes a separar-nos, ele era fisicamente igual a mim. E ali estavam, naquele rosto, o meu avô, a minha mãe, os meus tios. Os mesmos olhos claros que, não fosse a fotografia a preto e branco, seriam azuis – ou cinzentos ou verdes, conforme a luz que vem do mar – é o mesmo olhar, que e uma marca de família e que tão depressa está preso ao mundo, às conversas e aos outros, como de repente se ausenta, a meio de uma conversa, como quem regressa a casa. A mesma, insondável e incompreensível, nostalgia boreal, essa saudade do norte em pleno sul, esse absurdo desejo de neblina no esplendor da luz – mesmo em Manaus.
Alguns de nós, Andresen, nascemos com veia de contadores de histórias. Eu também cultivo o género – umas vezes por profissão, outras por distracção. A noite passada, tendo de improvisar uma história para adormecer o meu filho mais pequeno, lembrei-me de lhe contar esta. Acrescentei a lenda, com tempestades no Golfo da Biscaia, dramas na Ribeira e romances no Douro. Deliberadamente, para que ele, por sua vez, acrescente outras lendas, mais tarde. Pensando bem, acho que essa é uma das funções da família: que cada geração imortalize as anteriores. Não sendo assim, só nos resta a previsibilidade destes tempos sem antepassados escondidos em porões de navios, pais ausentes que enviam ordens severas sob as quais se esconde a fraqueza dos sentimentos, e avós que fundam teatros barrocos na Amazónia.

(Ao meu tio Gustavo Andresen, o guardião destas coisas)

Miguel Sousa Tavares, in Não te deixarei morrer, David Crocket (2001)

Sétima Legião, "Sete Mares"





De modo a entrarmos no tom certo do conto 'Saga', de Sophia, sugiro a audição da bela canção "Sete Mares", dos Sétima Legião, tema de abertura do álbum Mar D'Outubro (1987). Recordo sempre esta canção quando penso em Hans, a personagem principal do texto de Sophia.

Ainda que o álbum siga a publicação de Histórias da Terra e do Mar (1984) em três anos, a canção não é naturalmente sobre Hans, mas sobre a valentia dos navegadores portugueses ao longo da História.

Na secção dos comentários, escreve dois versos que, no teu entendimento, subscrevem a segunda frase deste post.

Segue igualmente uma recente cover dos Amor Electro, embora a versão original seja, a meu ver, insuperável.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Miacoutando


Que miacoutássemos. Foi o que o professor nos pediu quando chegámos à saula. Hoje é para neologismar. Seis palavras, num ou dois parágrafos. Aparentemente, quer que sejamos escrinventores. Disse que, miacoutando, miacontaríamos estórias abensonhadas.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Conto Conti8o: #6-#7

#6/12
             Houve quem um dia escrevesse que não sabia se devia começar as suas memórias pelo princípio ou pelo fim. Também eu me questionei, enleado, se devia começar a minha narrativa pela verdade ou pela mentira, mesmo que por vezes estas pouco se distingam. Comecemos, então, pela mentira, a mais verdadeira das ficções. Dito isto, convém desde já relatar o momento crepuscular em que não cheguei realmente a conhecer a figura das próximas linhas. O seu nome? Aurora.
“Deusa do amanhecer, que pinta o céu de várias cores ténues, obriga-me a acordar do meu mundo de sonho para regressar à realidade!” Nunca lhe atribuí a devida importância, na medida em que, para mim, era, apenas, o nascimento de outro dia banal, recheado de reclamações por aquilo que não tenho, ambiciono ou desejo ser.
Contrariamente a Aurora, eu vivia uma existência singular e egoísta, na qual teimava em cerrar os meus olhos, abafar o meu cérebro, para que desse modo me fosse possível ocultar os dois mundos opostos que me cercavam. Sim, esses mesmos, o Belo e o Ruim. Dois mundos bem à parte do meu, tão peculiar, tão insensível e, tal como já o afirmei, tão egoísta.
Algo na forma como ela teimava em aparecer, todas as manhãs, num aviso fulgente de que a vida que eu, lá no fundo, por muito que não o aceitasse, queria estava à distância de uma mão... Se, ao menos, eu tivesse a coragem de dar um passo em frente e agarrá-la! Olhando para trás, percebo que era pura inveja, mas, na altura, parecia-me arrogante a forma como ela se erguia, os seus olhos apenas esperança e beleza, independentemente do dia. Alguém precisava de fazer algo, e eu sabia que mais ninguém daria um passo em frente. Na manhã seguinte, sentado no meu parapeito, estava preparado.
“Não custa nada!”, repetia eu vezes sem conta, de forma a entender que aquele era o caminho a seguir para alcançar o tão desejado tesouro. Todas as manhãs dava por mim a tentar descobrir onde tinha errado para acabar assim sozinho, numa casa taciturna e com uma vida amargurada e sem cor. Equiparava a minha existência a um carro velho enferrujado, inútil e insignificante. Sabia que, para o carro ser utilizado outra vez, teria de abandonar as peças gastas e alcançar outras melhores que lhe dessem o impulso necessário para recomeçar. Queria ter uma vida tão brilhante como a de Aurora; então, percebi que teria de descer um degrau para no futuro poder subir muitos mais. Reuni o essencial e deixei que ela me guiasse.
"Será a melhor escolha, o melhor caminho?", perguntava-me constantemente. Num mundo onde existem milhões e milhões de pessoas, porquê eu? Na hora da verdade, eram muitas as questões que me assaltavam, no entanto, tive que acreditar, pois, na minha escuridão, só eu entrava e só eu dela sairia. Segui pé ante pé, apavorado. "E se for imediatamente rejeitado por todos?". Constatando que era já nesse universo que vivia, segui viagem. Esta poderia demorar horas, dias, semanas, meses, anos, mas ia com o intuito de ser feliz, o que já não era há muito tempo. Poderia ficar magoado, ferido, triste, mas, agora, nada nem ninguém me poderia demover de perseguir esse desejo. Na manhã seguinte, fui acordado pela chuva, que batia de forma intensa na minha janela. No passado, o estado do tempo determinava se o meu dia seria bom, se estivesse sol, ou mau, se estivesse chuva. Contrariamente, hoje, quem decidia a qualidade do meu dia era eu.
#6: Leonor Castro (8.º C)

- 1.º parágrafo (7 de outubro): Prof. Nuno Ricardo Ferreira
- 2.º parágrafo (7-12 de outubro): Maria Magalhães + Catarina Pereira (8.º C)
- 3.º parágrafo (13-19 de outubro): Rodrigo Silva (8.º D)
- 4.º parágrafo (20-26 de outubro): Carolina Carvalho e Sousa (8.º A)
- 5.º parágrafo (27 de outubro-2 de novembro): Rita Escudeiro de Sousa (8.º B)
- 6.º parágrafo (3-9 de novembro): Leonor Castro (8.º C)
- 7.º parágrafo (a definir): 8.º D
- 8.º parágrafo (a definir): 8.º A
- 9.º parágrafo (a definir): 8.º B
- 10.º parágrafo (a definir): 8.º A-C
- 11.º parágrafo (a definir): 8.º B-D
- 12.º parágrafo (a definir): Prof.ª Raquel Almeida Silva

Caso pretendas participar, escreve o teu parágrafo (não muito extenso) na secção dos comentários, assinando com o teu nome e turma. Redige o teu texto com total rigor, nomeadamente ao nível da ortografia, pontuação e sintaxe.

Os textos serão publicados após moderação.

domingo, 3 de novembro de 2019

Conto Conti8o: #5-#6

#5/12
          Houve quem um dia escrevesse que não sabia se devia começar as suas memórias pelo princípio ou pelo fim. Também eu me questionei, enleado, se devia começar a minha narrativa pela verdade ou pela mentira, mesmo que por vezes estas pouco se distingam. Comecemos, então, pela mentira, a mais verdadeira das ficções. Dito isto, convém desde já relatar o momento crepuscular em que não cheguei realmente a conhecer a figura das próximas linhas. O seu nome? Aurora.
“Deusa do amanhecer, que pinta o céu de várias cores ténues, obriga-me a acordar do meu mundo de sonho para regressar à realidade!” Nunca lhe atribuí a devida importância, na medida em que, para mim, era, apenas, o nascimento de outro dia banal, recheado de reclamações por aquilo que não tenho, ambiciono ou desejo ser.
Contrariamente a Aurora, eu vivia uma existência singular e egoísta, na qual teimava em cerrar os meus olhos, abafar o meu cérebro, para que desse modo me fosse possível ocultar os dois mundos opostos que me cercavam. Sim, esses mesmos, o Belo e o Ruim. Dois mundos bem à parte do meu, tão peculiar, tão insensível e, tal como já o afirmei, tão egoísta.
Algo na forma como ela teimava em aparecer, todas as manhãs, num aviso fulgente de que a vida que eu, lá no fundo, por muito que não o aceitasse, queria estava à distância de uma mão... Se, ao menos, eu tivesse a coragem de dar um passo em frente e agarrá-la! Olhando para trás, percebo que era pura inveja, mas, na altura, parecia-me arrogante a forma como ela se erguia, os seus olhos apenas esperança e beleza, independentemente do dia. Alguém precisava de fazer algo, e eu sabia que mais ninguém daria um passo em frente. Na manhã seguinte, sentado no meu parapeito, estava preparado.
“Não custa nada!”, repetia eu vezes sem conta, de forma a entender que aquele era o caminho a seguir para alcançar o tão desejado tesouro. Todas as manhãs dava por mim a tentar descobrir onde tinha errado para acabar assim sozinho, numa casa taciturna e com uma vida amargurada e sem cor. Equiparava a minha existência a um carro velho enferrujado, inútil e insignificante. Sabia que, para o carro ser utilizado outra vez, teria de abandonar as peças gastas e alcançar outras melhores que lhe dessem o impulso necessário para recomeçar. Queria ter uma vida tão brilhante como a de Aurora; então, percebi que teria de descer um degrau para no futuro poder subir muitos mais. Reuni o essencial e deixei que ela me guiasse.
#5: Rita Escudeiro de Sousa (8.º B)

- 1.º parágrafo (7 de outubro): Prof. Nuno Ricardo Ferreira
- 2.º parágrafo (7-12 de outubro): Maria Magalhães + Catarina Pereira (8.º C)
- 3.º parágrafo (13-19 de outubro): Rodrigo Silva (8.º D)
- 4.º parágrafo (20-26 de outubro): Carolina Carvalho e Sousa (8.º A)
- 5.º parágrafo (27 de outubro-2 de novembro): Rita Escudeiro de Sousa (8.º B)
- 6.º parágrafo (3-9 de novembro): 8.º C
- 7.º parágrafo (10-16 de novembro): 8.º D
- 8.º parágrafo (17-23 de novembro): 8.º A
- 9.º parágrafo (24-30 de novembro): 8.º B
- 10.º parágrafo (1-7 de dezembro): 8.º A-C
- 11.º parágrafo (8-14 de dezembro): 8.º B-D
- 12.º parágrafo (31 de dezembro): Prof.ª Raquel Almeida Silva

Caso pretendas participar, escreve o teu parágrafo (não muito extenso) na secção dos comentários, assinando com o teu nome e turma. Redige o teu texto com total rigor, nomeadamente ao nível da ortografia, pontuação e sintaxe.

Os textos serão publicados após moderação.

Participa nUma Aventura... Literária


Editorial Caminho – Concurso Uma Aventura… Literária 2020

Estimados alunos,

A Editorial Caminho tem o prazer de informar que já está a decorrer o Concurso Uma Aventura… Literária 2020
Recordamos que este concurso se destina aos alunos do pré-escolar, 1.º ciclo, 2.º ciclo, 3.º ciclo e secundário e o prazo de envio dos trabalhos termina a 17 de fevereiro 2020 (data dos CTT).
Este ano, o concurso Uma Aventura tem 4 modalidades: Texto Original, Crítica, Desenho e Olimpíadas da História.
Uma vez que o empenhamento e êxito dos alunos depende sempre do professor será um enorme prazer poder contar com a sua participação neste concurso.

Na edição deste ano, à semelhança do que se verificou nos últimos anos, os trabalhos podem ser enviados de forma rápida e segura através do site Uma Aventura http://uma-aventura.pt/ . Os trabalhos também podem ser enviados pelo correio.
Se optar pelo envio através do site Uma Aventura a inscrição e envio dos trabalhos devem ser feitos em simultâneo. Para tal, basta preencher o formulário e adicionar o/os trabalhos a concurso (ficheiros word ou imagem .docx.doc.png ou .jpg). A cada trabalho terá que corresponder um registo de inscrição.
Os trabalhos podem ainda ser enviados através do correio (com as fichas de participação devidamente preenchidas), nos moldes habituais, para a seguinte morada:
Concurso Uma Aventura… Literária 2020 - Editorial Caminho
Rua Cidade de Córdova nº 2 - 2610 - 038 Alfragide

Os professores e alunos que registarem e enviarem os trabalhos através do site poderão imprimir os Diplomas de Participação e de Coordenação Pedagógica diretamente através do site.
Enviamos em anexo, o cartaz com os livros a concurso e a ficha de participação que deverão imprimir e enviar pelo correio, juntamente com o trabalho, no caso de optarem por esta forma de envio.

Gratos pela atenção, ficamos a aguardar os trabalhos dos seus alunos.

Os melhores cumprimentos,
Catarina Cruzeiro

Para qualquer esclarecimento complementar:
Catarina Cruzeiro:
21 427 22 86 l fantastico@caminho.leya.com (assuntos gerais do concurso)

Jaime Ramalho:
21 427 22 88 l jramalho@leya.com (assuntos relacionados com o envio de trabalhos através do site)

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Conto Conti8o: #4-#5

#4/12
          Houve quem um dia escrevesse que não sabia se devia começar as suas memórias pelo princípio ou pelo fim. Também eu me questionei, enleado, se devia começar a minha narrativa pela verdade ou pela mentira, mesmo que por vezes estas pouco se distingam. Comecemos, então, pela mentira, a mais verdadeira das ficções. Dito isto, convém desde já relatar o momento crepuscular em que não cheguei realmente a conhecer a figura das próximas linhas. O seu nome? Aurora.
“Deusa do amanhecer, que pinta o céu de várias cores ténues, obriga-me a acordar do meu mundo de sonho para regressar à realidade!” Nunca lhe atribuí a devida importância, na medida em que, para mim, era, apenas, o nascimento de outro dia banal, recheado de reclamações por aquilo que não tenho, ambiciono ou desejo ser.
Contrariamente a Aurora, eu vivia uma existência singular e egoísta, na qual teimava em cerrar os meus olhos, abafar o meu cérebro, para que desse modo me fosse possível ocultar os dois mundos opostos que me cercavam. Sim, esses mesmos, o Belo e o Ruim. Dois mundos bem à parte do meu, tão peculiar, tão insensível e, tal como já o afirmei, tão egoísta.
Algo na forma como ela teimava em aparecer, todas as manhãs, num aviso fulgente de que a vida que eu, lá no fundo, por muito que não o aceitasse, queria estava à distância de uma mão... Se, ao menos, eu tivesse a coragem de dar um passo em frente e agarrá-la! Olhando para trás, percebo que era pura inveja, mas, na altura, parecia-me arrogante a forma como ela se erguia, os seus olhos apenas esperança e beleza, independentemente do dia. Alguém precisava de fazer algo, e eu sabia que mais ninguém daria um passo em frente. Na manhã seguinte, sentado no meu parapeito, estava preparado.
#4: Carolina Carvalho e Sousa (8.º A)

- 1.º parágrafo (7 de outubro): Prof. Nuno Ricardo Ferreira
- 2.º parágrafo (7-12 de outubro): Maria Magalhães + Catarina Pereira (8.º C)
- 3.º parágrafo (13-19 de outubro): Rodrigo Silva (8.º D)
- 4.º parágrafo (20-26 de outubro): Carolina Carvalho e Sousa (8.º A)
- 5.º parágrafo (27 de outubro-2 de novembro): 8.º B
- 6.º parágrafo (3-9 de novembro): 8.º C
- 7.º parágrafo (10-16 de novembro): 8.º D
- 8.º parágrafo (17-23 de novembro): 8.º A
- 9.º parágrafo (24-30 de novembro): 8.º B
- 10.º parágrafo (1-7 de dezembro): 8.º A-C
- 11.º parágrafo (8-14 de dezembro): 8.º B-D
- 12.º parágrafo (31 de dezembro): Prof.ª Raquel Almeida Silva

Caso pretendas participar, escreve o teu parágrafo (não muito extenso) na secção dos comentários, assinando com o teu nome e turma. Redige o teu texto com total rigor, nomeadamente ao nível da ortografia, pontuação e sintaxe.

Os textos serão publicados após moderação.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Conto Conti8o: #3-#4

#3/12
          Houve quem um dia escrevesse que não sabia se devia começar as suas memórias pelo princípio ou pelo fim. Também eu me questionei, enleado, se devia começar a minha narrativa pela verdade ou pela mentira, mesmo que por vezes estas pouco se distingam. Comecemos, então, pela mentira, a mais verdadeira das ficções. Dito isto, convém desde já relatar o momento crepuscular em que não cheguei realmente a conhecer a figura das próximas linhas. O seu nome? Aurora.
“Deusa do amanhecer, que pinta o céu de várias cores ténues, obriga-me a acordar do meu mundo de sonho para regressar à realidade!” Nunca lhe atribuí a devida importância, na medida em que, para mim, era, apenas, o nascimento de outro dia banal, recheado de reclamações por aquilo que não tenho, ambiciono ou desejo ser.
Contrariamente a Aurora, eu vivia uma existência singular e egoísta, na qual teimava em cerrar os meus olhos, abafar o meu cérebro, para que desse modo me fosse possível ocultar os dois mundos opostos que me cercavam. Sim, esses mesmos, o Belo e o Ruim. Dois mundos bem à parte do meu, tão peculiar, tão insensível e, tal como já o afirmei, tão egoísta.
#3: Rodrigo Silva (8.º D)

- 1.º parágrafo (7 de outubro): Prof. Nuno Ricardo Ferreira
- 2.º parágrafo (7-12 de outubro): Maria Magalhães + Catarina Pereira (8.º C)
- 3.º parágrafo (13-19 de outubro): Rodrigo Silva (8.º D)
- 4.º parágrafo (20-26 de outubro): 8.º A
- 5.º parágrafo (27 de outubro-2 de novembro): 8.º B
- 6.º parágrafo (3-9 de novembro): 8.º C
- 7.º parágrafo (10-16 de novembro): 8.º D
- 8.º parágrafo (17-23 de novembro): 8.º A
- 9.º parágrafo (24-30 de novembro): 8.º B
- 10.º parágrafo (1-7 de dezembro): 8.º A-C
- 11.º parágrafo (8-14 de dezembro): 8.º B-D
- 12.º parágrafo (31 de dezembro): Prof.ª Raquel Almeida Silva

Caso pretendas participar, escreve o teu parágrafo (não muito extenso) na secção dos comentários, assinando com o teu nome e turma. Redige o teu texto com total rigor, nomeadamente ao nível da ortografia, pontuação e sintaxe.

Os textos serão publicados após moderação.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Conto Conti8o: #2-#3

#2/12
          Houve quem um dia escrevesse que não sabia se devia começar as suas memórias pelo princípio ou pelo fim. Também eu me questionei, enleado, se devia começar a minha narrativa pela verdade ou pela mentira, mesmo que por vezes estas pouco se distingam. Comecemos, então, pela mentira, a mais verdadeira das ficções. Dito isto, convém desde já relatar o momento crepuscular em que não cheguei realmente a conhecer a figura das próximas linhas. O seu nome? Aurora.
“Deusa do amanhecer, que pinta o céu de várias cores ténues, obriga-me a acordar do meu mundo de sonho para regressar à realidade!” Nunca lhe atribuí a devida importância, na medida em que, para mim, era, apenas, o nascimento de outro dia banal, recheado de reclamações por aquilo que não tenho, ambiciono ou desejo ser.
#2: Maria Magalhães + Catarina Pereira (8.º C)

- 1.º parágrafo (7 de outubro): Prof. Nuno Ricardo Ferreira
- 2.º parágrafo (7-12 de outubro): Maria Magalhães + Catarina Pereira (8.º C)
- 3.º parágrafo (13-19 de outubro): 8.º D
- 4.º parágrafo (20-26 de outubro): 8.º A
- 5.º parágrafo (27 de outubro-2 de novembro): 8.º B
- 6.º parágrafo (3-9 de novembro): 8.º C
- 7.º parágrafo (10-16 de novembro): 8.º D
- 8.º parágrafo (17-23 de novembro): 8.º A
- 9.º parágrafo (24-30 de novembro): 8.º B
- 10.º parágrafo (1-7 de dezembro): 8.º A-C
- 11.º parágrafo (8-14 de dezembro): 8.º B-D
- 12.º parágrafo (31 de dezembro): Prof.ª Raquel Almeida Silva

Caso pretendas participar, escreve o teu parágrafo (não muito extenso) na secção dos comentários, assinando com o teu nome e turma. Redige o teu texto com total rigor, nomeadamente ao nível da ortografia, pontuação e sintaxe.

Os textos serão publicados após moderação.